sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Em busca da felicidade perdida

Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive.
Emílio Moura (poeta mineiro)

Li um texto do Jurandir Freire Costa e um outro de Flavio Gikovate e fiquei pensando... Meu trabalho é refletir sobre redes, complexidade, conhecimento, inovação e tecnologia; falar de como isto está mudando o mundo e nossas vidas. Mas, para ser honesto, acho que as transformações mais importantes deste início de século são as transformações que estamos vivenciando nas relações humanas.

Vivemos em busca da chave mágica que vai nos abrir as portas do paraíso e da felicidade, mas será que ela existe?



Gikovate nos alerta que o romantismo do século passado nos levou a procurar no outro o complemento indispensável para nossa felicidade: “O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino”. Completa dizendo que uma outra teoria, no fundo com esta mesma base de pensamento, é de que devemos procurar nossos opostos, para assim chegar ao equilíbrio. Se sou calma e carinhosa, devo procurar alguém agressivo, se sou sonhador, uma pessoa pragmática...

Para Jurandir Freire, "o ideal do amor no qual nos fixamos, herdado do romantismo, embalado por adiamentos, renúncias, devaneios, esperanças no futuro e doces momentos do passado tornou-se contraditório com nossa 'paixão pelo efêmero'". 

Afinal, q que devemos fazer diante da constatação da falência do “modelo de amor” que tínhamos? Devemos simplesmente abandonar o barco? Desistir? Ou reinventar nossas formas de relacionamento? Inovar?

Para Jurandir Freire, podemos nos livrar de um ideal de amor caduco, mas não estamos livres da necessidade de reinventá-lo. Gikovate vai na mesma direção e aponta que “o que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar... As pessoas estão aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras” (grifo meu).

O inferno não são os outros

Frequentemente identificamos a causa de nossos problemas nos outros: fulano é insensível, beltrano me irrita, ninguém percebe meu valor... Identificamos os problemas, e consequentemente, as soluções como estando fora de nós. Em poucas palavras, como diria Sartre, achamos que “o inferno são os outros”.
"Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes" (Fernando Pessoa)

Precisamos construir um outro caminho. Precisamos inovar também nas relações humanas. Ao invés de culpar o outro ou, no caso das relações afetivas, buscar nossa “alma gêmea” ou "a parte que nos falta", devemos buscar a plenitude. Não devemos nos contentar em sermos frações, mas seres inteiros naquilo que fazemos. E para isso, quanto mais competente formos para viver sozinhos, mais estaremos preparados para viver intensamente uma relação afetiva. A relação não será doentia (“não posso viver sem você”), mas saudável, sem exigências, onde ambos podem crescer.

Claro que este é o caminho mais difícil. Certamente é muito mais fácil adotar um perfil conhecido, imitando os modelos que todos os dias as novelas e filmes de Hollywood nos propõem. Quando você copia os outros há menos riscos. Quando não copiamos ninguém estamos sozinhos! Vamos ter que encontrar nossos próprios caminhos. É uma opção de maior risco, mas segundo os dois psicanalistas, é a que nos permitiria ser mais verdadeiros e felizes. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

Mas cuidado. Conseguir viver consigo mesmo não significa viver sozinho. A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se fecha, que se recusa a viver com os outros. Ou sobrevive ao lado de alguém sem estar inteiro naquela relação. Alguém encerrado em si mesmo, que não dá e não está aberto a receber amor é uma pessoa solitária. Que tem medo de amar. Este “queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno”. Quem se recusa às emoções verdadeiras acaba definhando e perdendo-se de si mesmo.

Assim, da mesma forma que a inovação não é mais uma opção, mas um imperativo para as empresas e países que desejam viver no século XXI, a reinvenção das relações humanas não é mais uma opção. É uma necessidade para a sobrevivência de nossa espécie no planeta. Não conseguiremos sobreviver se continuarmos a manter, por um lado, relações hipócritas, falsas e mentirosas ou, por outro lado, cultivando relações efêmeras, sem qualidade e profundidade.

Precisamos criar um novo tipo de relacionamento para vivermos com mais intensidade, verdade e felicidade. Mudar sempre é doloroso, mas se queremos viver não temos outro caminho. Afinal, como nos ensina o poeta, "viver não dói. O que dói é a vida que não se vive"...

Natal é onde celebramos o advento, a chegada do novo. Como há dois mil anos, o novo traz esperança, mas também o medo. As coisas andam tão tristes, escuras e confusas que temos medo de ousar mudar. É compreensível que tenhamos medo do novo, mas não devíamos temê-lo. Até porque ele virá. Vamos celebrá-lo.


Um FELIZ NATAL a tod@s!



terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ninguém ensina nada a ninguém, mas ninguém aprende sozinho...

Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: 
Vai, Carlos! ser gauche na vida.
(Poema das sete faces - Carlos Drummond de Andrade)

Se eu fizesse alguma lista dos livros que mais me marcaram "O estrangeiro", de Albert Camus, certamente estaria na lista. Desde garoto que minha sensação era de ser um estrangeiro no mundo. Era um ótimo aluno na escola e só tirava medalha de ouro em "comportamento". Mas, ao mesmo tempo, era um dos melhores jogadores de futebol do colégio. Em geral, os bons de bola não eram bons alunos...  Na adolescência, praticava esportes e adorava pegar jacaré na praia, mas participava ativamente do grêmio e colaborava com o jornal. Em geral, a galera do "surf" era considerada "alienada" pelos intelectuais que atuavam no grêmio.

Em resumo, eu participava de diferentes tribos que raramente se misturavam, o que me dava a sensação de não pertencer a nenhuma...  Daí esta permanente sensação de ser um estrangeiro, alguém que não era de tribo nenhuma, ou como, diria o Drummond, um "gauche na vida". Em francês, ser um "esquerdo" quer dizer ser alguém "diferente" ou "deslocado"...

Na vida adulta esta sensação de ser um "esquerdo" se tornou crítica com a pressão para escolher uma profissão. O que fazer? História, matemática, diplomacia, informática? Acabei fazendo matemática porque era o assunto mais chato para se estudar sozinho. Era melhor fazer uma faculdade para estudar junto com outras pessoas e ter professor para tirar dúvida...  Ao mesmo tempo, a maturidade me fez ver que, na verdade, o que me parecia um problema era uma benção. Ter sido sempre um estrangeiro me permitiu conviver com pessoas muito diversas e me maravilhar com esta diversidade humana. Se eu tivesse escolhido uma tribo eu não me sentiria estrangeiro, mas teria uma visão extremamente limitada do mundo.

A vida deu muitas voltas e acabei virando professor meio que por acaso. E, para minha surpresa, gostei. Muito. E até hoje, uma das emoções que mais gosto de sentir é quando, no início de cada semestre, vou conhecer caras e pessoas novas. Uma vez fui entrevistado no Programa Sem Censura pela Leda Nagle e, no mesmo programa, estava a Marília Pera. Depois do programa ficamos conversando e perguntei como ela mantinha a emoção e o brilho nos olhos atuando numa peça de teatro que ficava mais de um ano em cartaz. E ela me respondeu: "Toda vez que entro em cena eu procuro me lembrar que eu vou repetir aquele texto pela centésima vez, mas para quem está ali, no teatro, é a primeira vez. Então, naquela noite, é a nossa primeira vez juntos. É por isto que eu amo o teatro. Só ele me permite reviver a cada noite a emoção do primeiro encontro..."



Faz 59 anos que Albert Camus escreveu uma emocionada carta ao seu primeiro professor, na escola primária, logo após ter recebido o Prêmio Nobel de Literatura. No meio do turbilhão de emoções e homenagens que esta premiação lhe trouxe, ele fez questão de agradecer a este desconhecido professor.

19 November 1957
Dear Monsieur Germain, 
I let the commotion around me these days subside a bit before speaking to you from the bottom of my heart. I have just been given far too great an honor, one I neither sought nor solicited. But when I heard the news, my first thought, after my mother, was of you. Without you, without the affectionate hand you extended to the small poor child that I was, without your teaching and example, none of all this would have happened. I don’t make too much of this sort of honor. But at least it gives me the opportunity to tell you what you have been and still are for me, and to assure you that your efforts, your work, and the generous heart you put into it still live in one of your little schoolboys who, despite the years, has never stopped being your grateful pupil. I embrace you with all my heart. 
Albert Camus

Quando alguém me pergunta porque eu sou professor eu respondo com o que aprendi com o Drummond, a Marília Pera e o Camus. Em primeiro lugar porque poucas profissões permitem a convivência com esta maravilhosa diversidade humana tão cara a um "esquerdo" como eu. Em segundo lugar, fora o teatro que outra profissão permitiria "reviver a cada semestre a emoção do primeiro encontro"? E por fim, a coisa que mais me emociona é quando reencontro um ex aluno que me diz o quanto nossos encontros ajudaram a transformar sua vida...  Na verdade, ninguém transforma a vida de ninguém. Só a própria pessoa pode fazer isto. O que o professor do Camus fez foi apenas ajudá-lo a encontrar a si mesmo. Não é pouca coisa, mas o mérito maior é de quem buscou se encontrar. Por que afinal, como nos lembra Oscar Wilde, o importante é sermos nós mesmos. Todas as outras personalidades já têm dono...



quinta-feira, 29 de setembro de 2016

10 anos que abalaram o mundo

Não é o fim do mundo. É o fim de um mundo...
(Michel Maffesoli)


Um dos livros que marcaram minha adolescência foi "Os 10 dias que abalaram o mundo", do jornalista americano John Reed. O livro foi revolucionário na forma e no conteúdo. Na forma, foi a primeira grande reportagem moderna. Até este livro jornalista escrevia reportagens e escritores escreviam livros. John Reed descreve, de uma maneiro minuciosa e vibrante a revolução comunista de 1917, na Rússia. Quando li o livro me imaginei caminhando ao lado de Lenin pelas ruas de Petrogrado e Moscou. É jornalismo e é romance... Do ponto de vista do conteúdo, o livro é um relato de uma revolução que transformou o mundo no século XX.

Ontem assisti a palestra "Anatomia das Organizações Exponenciais", de Cezar Taurion na Information Week, em São Paulo. Ele apresentou esta figura abaixo, com a lista das seis empresas com maior valor de mercado, no mundo, em 2006 e agora, em 2016. Em 2006, as maiores empresas eram a Exxon (óleo e gás), General Electric (conglomerado industrial que atua em várias áreas), Microsoft (Tecnologia), Citigroup (financeiro), British Petroleum (óleo e gás) e Royal Dutch Sheel. Das seis maiores empresas do mundo, três eram da área de petróleo, confirmando uma crença e uma frase do grande banqueiro americano Rockfeller, que falou, no século passado, que: "o melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo. E o segundo melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo mal administrada"...



O mundo, de fato era assim no século XX. 

Mas o mundo não é mais assim. Agora, em 2016, as maiores empresas são, pela ordem: Apple, Alphabet (Google), Microsoft, Amazon, Exxon e Facebbok. São cinco empresas de tecnologia e apenas uma de petróleo (em quinto lugar)...

O mundo do século XX está ficando para trás. Um novo mundo JÁ É REALIDADE. Não estamos falando do futuro. Estamos falando do mundo de HOJE, em 2016. Estamos vivendo na era do conhecimento, numa sociedade digital, em rede. 

Não estamos vivendo o fim do mundo. Estamos vivendo o fim de um determinado mundo...  O que está acabando é o mundo hierárquico, industrial dos séculos XIX e XX. O que está sendo substituído é o pensamento binário e cartesiano pelo pensamento sistêmico e complexo. É uma revolução. Não mais como a revolução russa, com baionetas e soldados, mas com computadores, celulares e cidadãos que estão aprendendo a pensar com sua própria cabeça, sem seguir partidos ou gurus. Como toda revolução, será longa e terá várias idas e vindas. Todo processo revolucionário é contraditório. O passado não desaparece de repente. Ele vai resistir. Tentar impedir o novo de eclodir. Em vão. A esta altura do campeonato, o processo já é irreversível. 

O presente e o futuro serão das pessoas e organizações que entenderem e participarem ativamente desta transformação. O futuro não está escrito nas estrelas, ele será do jeito que o construirmos. 

Mãos, cérebros, coração e fígado à obra!



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

E se abrir os dados não for politicamente correto?

"Aprende-se autonomia e cidadania no exercício da cidadania, em espaços de liberdade responsável, onde se pratica a escuta atenta e se respeita a diversidade de opinião" (José Pacheco, educador)


Pesquisa realizada pela empresa Lateral Economics, publicada pelo Open Data Institute (clique aqui para ver) mostra que os dados abertos criam mais valor para a sociedade que os dados não abertos. Segundo o trabalho, os dados abertos geram 0,5% do PIB a mais de valor, a cada ano, do que os dados que os usuários têm de pagar para obter.

A cultura de dados abertos não é, portanto, apenas "politicamente correta", ela é mais eficiente e eficaz para a sociedade. Ela permite que os diferentes agentes econômicos e sociais tomem decisões de maior qualidade e com menor riscos. E aumenta a democracia. Na sociedade do conhecimento, o acesso livre aos dados é uma condição necessária para impedir que grandes grupos, como Google ou Facebook, se tornem os todos poderosos controlando nossas vidas.

Do meu ponto de vista, o mais importante é que o desenvolvimento da cultura de dados abertos aumenta o protagonismo social, transferindo o poder para as pontas, estimulando o empreendedorismo, a inovação e o processo de aprendizagem. Como afirma o educador português José Pacheco:
Prefiro falar de protagonismo do que falar em autonomia. A autonomia é um conceito de vasto espectro semântico, mas é sempre construída num exercício de relação. Isto é, ninguém é autônomo sozinho. A aprendizagem não está centrada no professor nem no aluno, mas numa relação, que pressupõe a existência de vínculos cognitivos, políticos, afetivos e emocionais, nos quais o sujeito que está aprendendo se assume protagonista com os outros.

Pensando nisso o Crie (Centro de Referência em Inteligência Empresarial) se associou ao Open Data Institute e se tornou um nó desta rede mundial pelos dados abertos, co- fundada em 2012 pelo inventor da web Sir Tim Berners-Lee e por um dos maiores especialistas em Inteligência Artificial, Sir Nigel Shadboltm, para enfrentar os desafios globais usando a rede de dados digitais.




Cada pessoa pode se associar ao ODI pagando uma anuidade, mas agora em setembro, o ODI-RIO está promovendo uma campanha de filiação onde as primeiras 200 pessoas que se associarem ao ODI não terão que pagar nada pela anuidade. Veja todos os detalhes e os benefícios desta associação clicando na imagem acima ou neste link aqui. Mas corra, porque a promoção é por tempo limitado.

Muitos são pessimistas em relação ao futuro do mundo ou do Brasil. Eu não. Na verdade, não encaro o futuro com otimismo, mas com esperança. O otimismo é da ordem da crença e tem um horizonte curto e determinado, enquanto a esperança tem a marca da visão de mundo e da eternidade. Quem tem esperança sabe que no mundo complexo e cada vez mais conectado que vivemos, as transformações levam tempo para ocorrer, dependem do fortalecimento das relações humanas. E que o que fazemos hoje vai repercutir por décadas. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Não espere. Embarque nesta viagem!

E se abrir os dados não for politicamente correto?

"Aprende-se autonomia e cidadania no exercício da cidadania, em espaços de liberdade responsável, onde se pratica a escuta atenta e e se respeita a diversidade de opinião" (José Pacheco, educador)


Pesquisa realizada pela empresa Lateral Economics, publicada pelo Open Data Institute (clique aqui para ver) mostra que os dados abertos criam mais valor para a sociedade que os dados não abertos. Segundo o trabalho, os dados abertos geram 0,5% do PIB a mais de valor, a cada ano, do que os dados que os usuários têm de pagar para obter.

A cultura de dados abertos não é, portanto, apenas "politicamente correta", ela é mais eficiente e eficaz para a sociedade. Ela permite que os diferentes agentes econômicos e sociais tomem decisões de maior qualidade e com menor riscos. E aumenta a democracia. Na sociedade do conhecimento, o acesso livre aos dados é uma condição necessária para impedir que grandes grupos, como Google ou Facebook, se tornem os todos poderosos controlando nossas vidas.

Do meu ponto de vista, o mais importante é que o desenvolvimento da cultura de dados abertos aumenta o protagonismo social, transferindo o poder para as pontas, estimulando o empreendedorismo, a inovação e a processo de aprendizagem. Como afirma o educador português José Pacheco:
Prefiro falar de protagonismo do que falar em autonomia. A autonomia é um conceito de vasto espectro semântico, mas é sempre construída num exercício de relação. Isto é, ninguém é autônomo sozinho. A aprendizagem não está centrada no professor nem no aluno, mas numa relação, que pressupõe a existência de vínculos cognitivos, políticos, afetivos e emocionais, nos quais o sujeito que está aprendendo se assume protagonista com os outros.

Pensando nisso o Crie (Centro de Referência em Inteligência Empresarial) se associou ao Open Data Institute e se tornou um nó desta rede mundial pelos dados abertos, co- fundada em 2012 pelo inventor da web Sir Tim Berners-Lee e por um dos maiores especialistas em Inteligência Artificial, Sir Nigel Shadboltm, para enfrentar os desafios globais usando a rede de dados digitais.




Cada pessoa pode se associar ao ODI pagando uma anuidade, mas agora em setembro, o ODI-RIO está promovendo uma campanha de filiação onde as primeiras 200 pessoas que se associarem ao ODI não terão que pagar nada pela anuidade. Veja todos os detalhes e os benefícios desta associação clicando na imagem acima ou neste link aqui. Mas corra, porque a promoção é por tempo limitado.

Muitos são pessimistas em relação ao futuro do mundo ou do Brasil. Eu não. Na verdade, não encado o futuro com otimismo, mas com esperança. O otimismo é da ordem da crença e tem um horizonte curto e determinado, enquanto a esperança tem a marca da visão de mundo e da eternidade. Quem tem esperança sabe que no mundo complexo e cada vez mais conectado que vivemos, as transformações levam tempo para ocorrer, dependem do fortalecimento das relações humanas. E que o que fazemos hoje vai repercutir por décadas. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Não espere. Embarque nesta viagem!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Por que a quantidade de informação não para de crescer?

Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém (Vinícius de Moraes
Neste mundo onde o conhecimento se transformou no principal fator de produção, assistimos ao crescimento das redes, da informação e da comunicação. Em todas as áreas do conhecimento a questão central é como se dá o processo de comunicação: biólogos querem saber como os genes e as células se comunicam; economistas querem desvendar o mistério das relações entre consumidores, produtos, serviços e todos os atores da intrincada rede de valor da economia; psicólogos e cientistas sociais querem entender como as relações humanas influenciam e constroem nossas ideias e sentimentos...
Dentro deste processo de busca do conhecimento, a ciência já foi capaz de identificar os micro e nano componentes dos seres vivos e também planetas, estrelas e galáxias muito distantes de nosso planeta. Mas ainda não estendemos como todas estas moléculas, planetas e seres interagem e se relacionam. Uma coisa, no entanto, já sabemos: não adianta continuarmos esta busca pela unidade fundamental da vida ou do universo ignorando a complexidade das relações entre as coisas e os seres. Como disse Cesar A. Hidalgo: "O Vale (do Silício) se tornou um sistema tão complexo de produção de conhecimento que seu funcionamento independe de um indivíduo qualquer. A melhor cabeça poderia desaparecer agora de lá e isso não faria a menor diferença. O sistema continuaria funcionando e aprimorando-se". Da mesma forma que o vale do silício, o planeta ou o universo continuam a funcionar sem a nossa presença. Mas a nossa presença também faz o Vale do Silício, o planeta e o universo serem diferentes do que seriam sem nós.
Para entender estas complexa realidade trazida pela sociedade do conhecimento, Cesar Hidalgo lançou o livro "Why Information Grows: The Evolution of Order, from Atoms to Economies". Uma das interessantes "descobertas" de seu trabalho é de que a confiança diminui os custos de transação. Embora seja intangível, a confiança (ou a falta dela) dói no nosso bolso....
Uma das questões mais interessante trazida por seu trabalho é por que, havendo tanto dinheiro e a mesma educação de qualidade em outras regiões dos Estados Unidos, não surgiram outros polos tão inovadores quanto o Vale do Silício? Por que o corredor tecnológico de Boston, com tantas universidades de primeiro nível, foi superado pelo Vale do Silício? Por que o Brasil é menos desenvolvido que os Estados Unidos?
A resposta em todos este casos é a mesma: Tudo depende da forma como as pessoas e as empresas se integram em redes complexas. A economia só cresce se a capacidade de processamento se amplia, agregando pessoas qualificadas, empreendedoras e que confiam umas nas outras. A confiança diminui o custo de transação. Com ela, é mais fácil as pessoas interagirem... Só assim é possível participar de redes mais amplas, acumular conhecimento e, eventualmente, atingir graus mais altos de complexidade.
Sociedades com baixo grau de confiança organizam-se em redes sociais menores e mais frágeis, em que menos informação circula e a chance de fazer coisas complexas é menor.
A conclusão parece clara. Para nos tornarmos uma sociedade mais justa e desenvolvida precisamos aprofundar a construção de redes e relações, construir e ampliar os canais de interação entre as pessoas. Tudo (ideias, obstáculos físicos...) que dificulta a comunicação e a construção de relações de confiança entre as pessoas deve ser evitado. Devemos criar um ambiente (de negócios, pessoal) que favoreça as trocas, as interações e a fluidez da informação.
É um longo caminho, mas saber disso já é um bom começo...





terça-feira, 30 de agosto de 2016

Crise ou mudança de paradigma?

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos". Fernando Teixeira de Andrade

"Em condições normais, o cientista não é um inovador, mas um solucionador de quebra-cabeças, e os quebra-cabeças sobre os quais ele se concentra são apenas aqueles que ele acredita que podem ser definidos e resolvidos dentro da tradição científica existente. Por isso são muito poucos cientistas que conseguem quebrar os paradigmas..." Thomas Khun


Vivemos com uma permanente sensação de que estamos em crise. No trabalho, na vida pessoal, na família. Para Roberto Panzarani, professor e pesquisador italiano, esta sensação é real. Estamos vivendo um momento revolucionário, de quebra de paradigmas. Tanto na vida pessoal quanto nas organizações e no trabalho estamos confrontados com o desafio de criar e propor novos modelos de negócios, novas formas de se organizar para resolver problemas que são cada vez mais complexos.

A complexidade do mundo não pode mais ser enfrentada com um modelo mental cartesiano, onde uma visão dual não consegue mais dar conta das milhares de relações envolvidas em redes cada vez mais dinâmicas e mutáveis. Ao mesmo tempo, as redes sociais e as tecnologias estão empoderando o cidadão. Cada pessoa, com seu smartphone é uma empresa, é capaz de resolver problemas que antes só podiam ser resolvidos por organizações hierárquicas e poderosas. É o que Roberto Panzarani chama da "economia molecular".

Estas foram algumas das ideias trazidas pelo pensador italiano durante o Workshop "Como transformar seu negócio no universo da Nova Economia" realizado no Rio de Janeiro no dia 27 de agosto.



Podemos comprovar que o paradigma produtivo mudou quando mais da metade do mundo, em termos de população, e muito mais que isso em termos de produção econômica, adotou a Internet como plataforma de negócios e quando mais da metade da população já está conectada através de seus telefones portáteis. Devíamos perceber que já estamos vivendo num novo mundo quando empresas que surgiram no final do século passado, como a Google, valem hoje mais do que as empresas de petróleo e que têm outros modelos organizacionais. Enquanto a Google tem apenas 2 níveis hierárquicos estas empresas tradicionais tem 9 ou 10 níveis hierárquicos. Em uma entrevista com o executivo principal da Google, Roberto Panzarani o questionou sobre esta diferença e a resposta foi: "Por que deveria desperdiçar meu dinheiro controlando as pessoas?". 



É um novo mundo que já se tornou realidade, mas que ainda tem a imensa maioria das pessoas vivendo ainda com modelos mentais do século XX. Querem controlar os trabalhadores como se estes ainda realizassem um trabalho mecânico e repetitivo, mas a maioria do trabalho hoje é um trabalho intelectual, onde o modelo de gestão não pode mais ser o mesmo. Este início de século XXI é, definitivamente, um outro mundo.

Esta separação entre o mundo real e nossos modelos mentais antigos provoca esta sensação de crise permanente. A maneira de resolver isto é adotarmos modelos mentais e de negócios inovadores, que nos ajudem a entender e viver nesta nova realidade. 

Como nos ensina o poeta português, "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".



quinta-feira, 28 de julho de 2016

Derrotar o medo pra fazer renascer a esperança


"A esperança é a última a morrer". Diz-se. Mas não é verdade. A esperança não morre por si mesma. A esperança é morta. Não é um assassinato espetacular, não sai nos jornais. É um processo lento e silencioso que faz esmorecer os corações, envelhecer os olhos dos meninos e nos ensina a perder crença no futuro". 

Mia Couto




Os brasileiros estão deixando o país.

Alguns fisicamente. Segundo a Receita Federal, o êxodo de brasileiros aumentou 67% no último ano (veja a notícia). Mas a maioria de nós está abandonando o país de outra forma. Estamos sem esperança. E com medo. Esta morte lenta da esperança é o resultado de uma estratégia pensada e deliberada, que tenta nos fazer crer que não podemos mudar, porque se mudarmos será para pior...

É a estratégia do medo.

E a estratégia do medo mata a esperança. E ao acabarem com nossa esperança estão destruindo nosso futuro. Muitos de nós estamos indignados com a situação do país. Nossa indignação, no entanto, é menor que o medo. "Sem darmos conta fomos convertidos em soldados de um exército sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética nem de legalidade".

Não estamos em guerra. Devemos, mais do que nunca, ser éticos e defendermos nossas ideias. Sem medo.



O futuro não vai cair do céu nem será o resultado da ação de meia dúzia de iluminados. Ele será construído por cada um de nós. Por todos nós. 

Precisamos derrotar o medo pra fazer renascer a esperança. E a esperança, como nos ensinou o genial Henfil, somos nós!


terça-feira, 26 de julho de 2016

Dengue: vacina importada é mais um exemplo do fracasso de nossa política de C&T




Só em 2015 a dengue atingiu mais de um  milhão e meio de pessoas (veja aqui) no Brasil! No dia 19 de abril de 2008, há oito anos, eu e o pesquisador André de Fatia Pereira Neto, da Fiocruz, escrevemos um artigo no Globo alertando para a urgência de financiarmos projetos de pesquisa para desenvolvermos uma vacina contra a dengue. Na época estávamos na Faperj e nossa briga era tentar convencer os órgãos de financiamento a pesquisa (Faperj, CNPq e Finep) a assumirem a posição que lhes cabe de entidades que deveriam pensar estrategicamente a ciência e tecnologia a definirem a luta contra a dengue como uma das suas prioridades.

Fomos derrotados.

A política de ciência e tecnologia que predomina em nosso país, há muitos anos, prefere pulverizar o investimento em milhares de projetos de interesse dos pesquisadores em detrimento de projetos de claro interesse da sociedade. Quem define onde os recursos públicos serão investidos são os próprios pesquisadores, sem levar em conta os interesses da sociedade. Como dito no artigo, os critérios de avaliação da produção científica brasileira se baseiam EXCLUSIVAMENTE na publicação de papers em revistas internacionais, desprezando pesquisas que gerem inovações e/ou que gerem resultados para a sociedade. Não se trata de exagero. Registrar patente não conta absolutamente nada para a avaliação de um pesquisador. O ÚNICO critério é publicação de artigo.


O resultado desta política de ciência e tecnologia não poderia ser outro. O Ministério da Saúde acaba de informar que a vacina contra a dengue, elaborada pelo laboratório francês Sanofi será vendida no Brasil por R$ 140 a dose! Estamos colhendo o que plantamos.

Precisamos urgentemente inverter esta lógica! Como dito no artigo, "os recursos públicos deveriam, prioritariamente, serem investidos em projetos de pesquisa que busquem encontrar soluções para os problemas que afligem a sociedade brasileira". Se não mudarmos o rumo, continuaremos a publicar artigos e a fazer pesquisas que têm muito pouco impacto e interesse para a sociedade.

A revolução dos paradigmas: Como transformar seu negócio no universo da nova economia


"A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples..." 
(José Miguel Wisnik)
"Tornar o simples em complicado é fácil, 
tornar o complicado em simples é criatividade." 
Charles Mingus


Vivemos um momento de transição, de uma sociedade industrial e hierárquica para uma sociedade do conhecimento, mais descentralizada e em rede. Neste novo mundo do século XXI a economia digital já é uma realidade e, do ponto de vista da ciência, um novo modo de pensar está superando o pensamento cartesiano, típico dos séculos XIX e XX: o pensamento complexo. 

O pensamento complexo procura ver o mundo para além da dualidade cartesiana. O mundo não se resume a bons e maus, direita e esquerda, preto e branco. O mundo é diverso, múltiplo e precisamos aprender a lidar com as redes e a complexidade.

Um dos grandes especialistas mundiais neste assunto é Roberto Panzarani. Ele é um italiano apaixonado pelo Brasil (que fala português), professor de Innovation Management, membro do Comitê científico da Fundação Vicentini na Universidade Luiss em Roma e responsável pela implantação de processos inovativos em grandes empresas globais.

Em agosto Roberto Panzarani estará no Rio de Janeiro, a convite do Crie, para realizar o Workshop "A revolução dos paradigmas: 
Como transformar seu negócio no universo da nova economia"

 

Neste período histórico que estamos vivendo parece impossível procurar a estabilidade na vida e também no trabalho. O problema não é cancelar a complexidade, mas aprender a geri-la para ter vantagens para a própria empresa ou o próprio negócio. A ciência da complexidade nos dá modelos que podem ser úteis para uma empresa conhecer com precisão o seu mercado. A empresa do futuro, que sabe sobreviver a cada mudança que aparece é a “Empresa Adaptável”, que sabe ajustar-se logo às mudanças de ambiente.

INOVAÇÃO – COMO TRANSFORMAR O NEGÓCIO NO UNIVERSO DA NOVA ECONOMIA
Grandes empresas de todo o mundo não param de pensar em como diferenciar-se e oferecer um produto ou serviço melhor ao mercado. É preciso sair do “quadrado”, mas como? O que é inovador? Como traduzir um conceito GLOBAL em LOCAL?

COMO APLICAR TUDO ISTO NA SUA ORGANIZAÇÃO?
Além de apresentar casos de transformação dos negócios na nova economia,
faremos um workshop com os casos reais do participantes do evento.


QUANDO E ONDE?
27 de agosto de 2016
9:00 às 17:00
Rua do Carmo 71 / 2o andar
Workshop em português

As pessoas interessadas devem entrar na página do Crie e se inscrever.
 

Para se inscrever clique aqui!



Corra porque as vagas são limitadas!


domingo, 10 de julho de 2016

Mercedes Benz não é mais fabricante de automóveis

"O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender, e reaprender". Alvin Tofler

Semana que vem participo de três eventos em Paris: o 9th PhD Consortium (encontro de doutorandos); a assembleia anual do The New Club of Paris e a XII International Conference on Intelectual Capital in the Knowledge Economy. Todos os eventos reúnem pesquisadores, empresários e gestores públicos para discutir temas como sociedade do conhecimento, economia digital e ativos intangíveis.

Um dos estudos que será apresentado no encontro de doutorandos traz uma informação que eu desconhecia: a Mercedes Benz, a famosa empresa de automóveis alemã não se define mais como uma "fabricante de automóveis". Eles criaram uma empresa chamada Moovel e se posicionam como uma empresa de "serviços de mobilidade para o cliente" dentro da nova sociedade do conhecimento...
Para alguns isto pode parecer um mero jogo de palavras, mas se trata de uma revolução! Como o negócio da empresa é cuidar da "mobilidade do cliente", fabricar automóveis passou a ser apenas uma das muitas formas do cliente se locomover. E, segundo os documentos internos da empresa, a que terá menos importância num futuro próximo. Eles estão investindo pesado para montar uma poderosa rede de informações para ajudar os clientes a tomarem sempre a melhor decisão de transporte, a cada segundo da sua vida. E estão pensando em tudo o que está relacionado com isto: redes de informação, telefones móveis, seguro... 

Para a empresa, a economia digital se tornou uma realidade: bilhões de pessoas têm smartphones e estão conectas à internet o tempo todo. Um dos pressupostos deste novo modelo de negócios da Mercedes é que a internet (em todos os lugares, 24h por dia) fará parte da vida dos 7 bilhões de seres humanos em muito pouco tempo.

Não tem mais volta. O mundo caminha de forma acelerada rumo a democratização do acesso à internet. Não pela bondade de governos e empresas, mas porque isto será a base dos negócios, da aprendizagem e dos relacionamentos humanos.

Muitos vêem com preocupação este cenário. Temem que seja só mais uma forma de controlar nossas vidas e explorar nosso trabalho. De fato, este risco existe. Cabe aos cidadãos se organizarem, em rede, para garantir que estes dados/informações estarão abertos e acessíveis a todos e que não serão controlados por uns poucos.

A luta pela descentralização do poder é a que nos move desde sempre. E estamos avançando! Na era medieval o rei controlava tudo; na era industrial as eleições dos "representantes do povo" democratizou um pouco mais o processo de tomada de decisão. E estamos caminhando para uma forma de democracia mais direta, onde cada cidadão decidirá, sem necessidade de eleger um "representante". A descentralização ainda maior do poder é uma das questões mais importantes nesta revolução que está nos colocando no século XXI. Cidadãos do mundo: uni-vos!

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Qual a nossa maior riqueza?


"A maior riqueza do homem é sua incompletude" 



De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Você, provavelmente conseguiu ler o texto acima,  mesmo com as letras trocadas (com exceção da primeira e da última letra). O cérebro humano consegue trabalhar com a imprecisão, o insuficiente e o vago. Ao contrário do computador, conseguimos raciocinar mesmo diante da incompletude da vida. Na verdade, muito provavelmente é a incompletude da vida que provoca nosso cérebro, o faz funcionar. Se todos os fatos fossem conhecidos e todas as informações estivessem disponíveis não precisaríamos usar o cérebro, bastaria perguntar ao Google...

Muita gente tem medo que a tecnologia esteja nos levando para um mundo onde seremos totalmente controlados por algoritmos, sensores e computadores. O risco existe e os enormes avanços nestas áreas estão aí aos olhos de todos. O que poucos perceberam é que o mundo e a nossa compreensão dele estão em permanente mudança. Quando os algoritmos identificam o padrão de consumo e comportamento do Marcos Cavalcanti, ele já se transformou em outra pessoa e tem novas curiosidades, novos desejos. O que chama sua atenção agora é outra coisa. O ser humano nunca está acabado ou completo. 





Esta nossa eterna incompletude é que nos faz humanos. Paradoxalmente, no entanto, ela nos incomoda... Faz-nos sentir "vazios". Mas é este incômodo que nos faz seguir adiante em busca do que nos falta. Em um determinado momento da minha vida tive o sonho de ir morar fora do Brasil e durante alguns anos corri atrás disso. Quando finalmente realizei este sonho, fiquei feliz, mas logo vi que isto não era suficiente. Queria mais. Sempre queremos mais. Nada de errado com esta busca, desde que ela não se transforme em obsessão. 


Achar este equilíbrio entre a satisfação e o desfrute do que temos e conseguimos e a busca por sermos mais e melhores é uma arte. E é um processo dinâmico e permanente porque este ponto de equilíbrio não é fixo, está sempre mudando de lugar. Nunca o encontramos definitivamente.

Ainda bem. Se o encontrássemos estaríamos mortos... Pois como diria o grande poeta Manoel de Barros, o que nos salva é esta eterna busca por quem somos:

"Me procurei a vida toda e não me achei. 
Pelo que, fui salvo"

Portanto, quando você se sentir triste e vazio, não se desespere. É só a magia da vida dizendo que chegou a hora de você levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima... O preço da felicidade é esta eterna busca por si mesmo.